Terça-feira, 8 de Março de 2011

0340 - Atentado

Este era o estado do Dólmen de Cortiçô, valorizado e integrado no roteiro arqueológico de Fornos de Algodres. Trata-se de um monumento classificado como Imóvel de Interesse Público.




Este é o estado actual.





O monumento encontra-se totalmente queimado e é um enigma como se encontra ainda de pé. Gente, que tenho dificuldade em adjectivar (até por razões emocionais), roubou fios para comercializar cobre e entendeu que o monumento era o local ideal para, fazendo de forno, queimar os fios para os descarnar e retirar o que interessava.
A câmara foi utilizada como forno e ficou completamente queimada e negra. A face interna dos esteios estalou em mil pedaços e os restos de pinturas neolíticas desapareceram. Esteios e chapéu estão agora negros e não sabemos se em condições de resistir às chuvas e amplitudes térmicas. No que resta da mamoa, acumulam-se cabos e revestimentos queimados.
Este era um monumento valorizado e cuidado. Aqui, não cabe culpar entidades responsáveis. Cabe mesmo culpar o cidadão que o não sabe ser, mas que, provavelmente, andará por aí a exigir, exigir e exigir.
Mais uma consequência da desresponsabilização individual, numa sociedade paternalista, onde a cidadania é sinónimo de direito, mas não de dever.
Vou fazer queixa ao Igespar. Trata-se de um monumento classificado. Veremos o que vai acontecer e se, da culpa ao imbecil que fez aquilo, não passamos à culpa de quem deve reparar o acto e mover a responsabilização dos culpados, mas eventualmente nada fará. Espero que não e que o monumento seja recuperado, mas algo me inquieta. Espero estar enganado.

11 comentários:

André Mano disse...

Deprimente...

Cláudia Costa disse...

A queixa deveria ser feita na policia, pois isto é um crime público.

Maria Constança Duarte Gonçalves disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Maria Constança Duarte Gonçalves disse...

mais um atentado ao património classificado. Tal como vai acontecer na baía de angra do heroísmo com a destruição de património classificado pela UNESCO, e por convenções a que o Estado Português aderiu e ratificou. E desrespeita-se tudo isto e mais a Constituição Portuguesa em que o Estado se compromete a preservar o património. E é preciso fazerem-se denúncias, queixas e petições para denunciar estas situações. E ninguém quer saber, neste momento corre uma petição para Contra a destruição do parque arqueológico subaquático de Angra do Heroísmo . Essa petição tem menos signatários que uma petição que está em curso para atribuir o nome de uma rua de Lisboa a uma pessoa que nada fez pelo país. Assim vai Portugal, assim vai o nosso património e assim vão os grandes interesses políticos.

Miguel Lago disse...

Repugnante...

Rui disse...

Visitei esta anta por várias vezes no âmbito do roteiro existente. É revoltante o que lhe aconteceu, mas ainda mais a falta de civismo daqueles que amanhã estarão a reclamar direitos de alguma coisa que o Estado pretensamente lhes deve. Mas nunca se recordam das suas obrigações...

Simão disse...

Há dias tristes e este é um deles. Faça também denúncia na Polícia, além do IGESPAR. Parafraseando uma pessoa, só tenho um comentário sobre a gente que fez isto: "Esta gente é um nojo". HMC.

Johny disse...

Quem fez isto NÃO PODE ficar IMPUNE!!!

Domingos disse...

Lamentável, mas já nada me espanta!

Australopithecus XXI disse...

Também nada mais me espanta. Tive a felicidade de conhecer o Domem na fase de restauro e sempre que estou perto dou um salto até lá.
Mas a realidade é essa, não pensem que é somente o Dólmen de Cortiçô. Em Vila Nova de Paiva acontece o mesmo com a Orca dos Juncais, Orca de Pendilhe e a Orca do Tanque.
As denúncias abaixo já são antigas. Porém, o Vandalismo ainda continua, aumentando mais na época das férias e festas e na temporada de caça. Em relação a caça, basta olhar para as placas e painéis de sinalização e observar as marcas dos chumbos.
http://imbeciltuga.blogspot.com/2005_10_01_archive.html
http://imbeciltuga.blogspot.com/2006_01_01_archive.html
http://imbeciltuga.blogspot.com/2006/06/vila-nova-de-paiva-acto-de-vandalismo.html
Outra forma de vandalismo e o roubo de pedras de muros e sítios arqueológicos para exportação para Espanha.
O IGERSPAR sabe das ocorrências, a Câmara Municipal sabe, A GNR sabe e em alguns casos até conhece o autor, mas nada é feito.

AnubiS disse...

Deprimente é pouco...