“Levantou-se com as pontas dos dedos sobre a mesa.
«Queremos ser de tantas maneiras diferentes», recomeçou. «Esta magnífica borboleta encontrou um pequeno monte de lama e pouso-lhe em cima; mas o homem nunca ficará quieto no seu pequeno monte de lama. Quer ser isto e aquilo...» Levantou a mão e baixou-a. «Quer ser um santo e um demónio, e sempre que fecha os olhos vê-se perfeito, perfeito como nunca poderá ser... Num sonho...».
Baixou a tampa da vitrina, o fecho automático produziu um estalido seco, pegou-lhe com as duas mãos e foi pô-la religiosamente no seu lugar. Passou do círculo brilhante de luz para o círculo francamente iluminado e depois para a zona obscura. Esta passagem produziu um efeito extraordinário, como se com aqueles poucos passos se tivesse escapado do mundo concreto e inquietante. A sua figura alta parecia despojada de toda a substância, como se planasse sobre coisas invisíveis com movimentos redondos indefinidos; a sua voz, vinda daquela distância onde o via misteriosamente ocupado em cuidados imateriais, não era já incisiva, mas profunda e grave, suavizada pela distância.
«E é de não podermos ter sempre os olhos fechados que nasce a verdadeira dificuldade, a pena do coração, a dor do mundo. Digo-lhe, meu amigo, que é mau compreender que não poderemos realizar os nossos sonhos porque não somos bastante fortes ou bastante inteligentes. Ja!... E somos todo o tempo perfeitos também! Wie? Was? Gott in Himmel! Como pode isto ser? Ah! Ah! Ah!»
A sombra debruçada sobre os túmulos das borboletas ria às gargalhadas.
«Sim! Esta coisa terrível é também cómica. Um homem, quando nasce, cai num sonho como se caísse no mar. Se se debater como fazem as pessoas inexperientes, afoga-se, nicht war?... Não! Sou eu que lho digo. O que é preciso é abandonarmo-nos ao elemento que nos destrói e arranjarmo-nos para que o mar profundo nos sustenha. Aqui está, já que mo pergunta, como se pode conseguir ser.»
(Joseph Conrad, Lord Jim)
0094 – The irregularity of ditches.
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The inner ditch of the enclosure in excavation process: 1,5m deep in first
plan survey (back of the dich); 1,3m deep in the next one; 0,8 at the gate.
N...
Há 3 dias


3 comentários:
Não há outra solução senão a resiliência e a adaptação... Um excerto muito bonito... e para retribuir, deixo este som dedicado à Mãe Natureza. Acho que vai gostar, especialmente em full screen. Bom fim de semana. :)
Obrigado Fada.
Há muito de oriental neste excerto de Conrad, certamente fruto das suas experiências pelos mares desse lado do mundo.
Quanto à Natureza, porque razão não pode ela ser Pai? Estou a brincar... e ao mesmo tempo não estou :).
Poderá ser mãe e pai???? Seria justo?... mas no feminino temos: A natureza, a terra, a criação, a criatura, a luz, a vida... etc.
No masculino: O criador-a(?!), o amor?? quem fica mais destacado aqui?
É... o domínio da força masculina deve acabar... tem-se visto no que foi dar. Queremos um matriarcado! :))
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