Estas entrevistas ao Ministro das Finanças são uma entretenga deliciosa. O homem fala português, mas é acusado de falar algo que não se entende. Não se entende pelos “comuns”, expressão dos jornalistas que, por consequência da afirmação, se assumem como incomuns: aqueles com capacidade de decifração do código ministerial.
Pois bem, hoje fiquei inquieto. Pois percebi as respostas do ministro. Até percebei a demagogia de se exigir clareza na neblina, certezas na incerteza. Mas fiquei a pensar que, por tal entendimento, eu poderia ser qualquer coisa de especial, de descomunal.
Sim, eu sei, muita gente não tem as competências (dispenso-me de as enumerar para não ser desagradável) para entender os discursos “técnicos”, mesmo os que não são assim tão técnicos, mas apenas lógicos. A tecnicidade dos discursos cresce na proporção da antiga iliteracia e do crescimento da, agora, ignorância licenciada.
É também um velho problema da ciência. É um velho problema do discurso técnico.
A solução é, para muitos, aligeirar. Dizer de forma a que as pessoas entendam, esquecendo que isso é, frequentemente, dizer outra coisa e entender algo muito diferente do que realmente se pretende dizer. Com os futuros desentendimentos que facilmente se adivinham.
Os problemas das cedências da ciência à divulgação são muito parecidos com as cedências dos procedimentos técnicos de governação às exigências mediáticas. E não se pense que em ambos os problemas não interferem critérios políticos. Estão em ambas as situações e não apenas na governação.
Mas o problema, de facto, está na incapacidade de descodificação, por incompetência, da maioria das pessoas relativamente aos discursos ditos mais técnicos, mas ainda assim “normais”.
Por normais entendo aquilo que uma população letrada deveria entender, justificando os elevados investimentos na educação. Por isso a velha ideologia iluminista, assumida pela 1ª República Portuguesa, olhava para a educação, a verdadeira educação (a que desenvolve competências e autonomias), como um pilar básico de um regime democrático.
Mas face à situação, resta a demagogia, o discurso da ilusão, da deturpação, do engano. Tudo o que é impróprio do ideal democrático: o de que cada indivíduo deve agir livremente, sendo que liberdade é consciência, entendimento, compreensão, onde se gera a autonomia individual.
Por isso aprecio a resistência (mesmo que seja uma defesa) do discurso do Ministro das Finanças ao facilitismo que os media gostam e política politiqueira anseia. E depois, há sempre os que se propõem ser tradutores.
O ensino e o desenvolvimento de competências intelectuais são centrais para a Democracia. Talvez fosse útil, em vez de criticar alguém que se exprimiu de forma clara, criticar o que tem sido o ensino em Portugal e a impreparação das pessoas para serem cidadãos e captarem discursos que classifico de acessíveis.
Será que isto é “bué” difícil de entender?
PS.
Pergunta a Paulo Bento: pode garantir que Portugal vai ganhar o próximo jogo da qualificação para o Europeu?
Resposta: Dentro do contexto em que o jogo se vai realizar, tendo em conta as datas, as diferenças de preparação dos jogadores (dadas as diferenças de calendário dos vários campeonatos em que actuam), as dificuldades em reunir todos os atletas para treinar regularmente, a diferença de qualidade dos elementos das equipas em confronto e a ambição que temos, diria que temos condições para um bom desempenho e lutar com consequência pelos nossos objectivos.
Notícia: Mas Portugal quer ganhar? Paulo Bento não assume claramente que Portugal vai ganhar.
0094 – The irregularity of ditches.
-
The inner ditch of the enclosure in excavation process: 1,5m deep in first
plan survey (back of the dich); 1,3m deep in the next one; 0,8 at the gate.
N...
Há 3 dias


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