Quinta-feira, 8 de Setembro de 2011

0382 - Estão "pilulas"

Estou a ouvir a Helena Roseta. Ela afirma estar "passada" com a notícia da retirada de comparticipação estatal à pílula, para poupar 6 milhões de euros.
Considera isso uma aberração e um ataque ao que chamou um progresso civilizacional e a uma cultura de maior liberdade face à sexualidade.
Em contrapartida, o seu opositor refere que, de acordo com os dados, a maioria das mulheres não compra pílula com receita médica, não tendo por isso direito à comparticipação, pelo que a questão não tem assim tanto impacto sociológico.
Responde a H.R: que isso não é argumento face a duas situações. Uma é a de que muitas mulheres (nomeadamente as mais jovens)e outras por motivos de incómodo do processo, acabam por não recorrer ao médico para obter a receita (esta pareceu-me um contra argumento para a sua posição). Mas para ela o maior problema é o da imagem, o do sinal ideológico, já que a pílula é vista como uma bandeira da emancipação feminina (embora também da masculina atrevo-me eu a acrescentar), o que a leva a considerar a medida, mais que económica, essencialmente ideológica.
Sem querer entrar na questão "Epistemológica" da coisa (que me levaria a dizer que toda a medida económica tem as suas dimensões, para não dizer justificações, ideológicas e que todas as opções ideológicas têm as suas dimensões económicas), sou tentado a dizer que, por 6 milhões de euros, não se justificaria por em causa um símbolo, numa sociedade onde a paridade de género ainda é bastante ímpar.
Sou pois tentado a concordar com H.R. nesta matéria. Mas, ao contrário dela, não me "passo".
E não me "passo" porque se todos, em todos os sectores, interesses, convicções, valores, se "passarem" (ou seja, rejeição liminar) com tudo o que está e vai ser feito isto não terá solução.
Porque não começar a procurar compensar a eventual medida com criatividade que talvez até ultrapasse os seus eventuais efeitos negativos, já que o efeito da comparticipação parece ser mais emblemático que efectivamente prático?
Porque não propor, como foi ontem sugerido noutro programa, um imposto suplementar sobre tecnologia importada (como telemóveis) para financiar essas coisas mais estruturalmente importantes. E se o Estado não o faz, então porque não se congregam os cidadãos para, exercendo a sua cidadania, obrigarem grandes multinacionais a financiarem estas "pequenas" despesas? Será que empresas que apelam imenso à sexualidade, à livre sexualidade, nas suas propagandas não poderiam ser "convencidas" a comparticipar a pílula?
Olhem para o que acontece com o tabaco...

1 comentários:

Fada do bosque disse...

A verdade sobre o Iraque e outras guerras. Veja pois a vímeo já retirou a versão inglesa. Contem muitas verdades!

Um abraço.