Sábado, 10 de Setembro de 2011

0383 - Corpo e alma; acção e idealização

A propósito da sua curta, mas profunda, nota sobre Camões, Eugénio de Andrade afirma:
"...que se saiba não há incompatibilidade nenhuma entre o estar-se eroticamente "a prisões baixas atado" e ter no "alto pensamento" a sua naturalíssima complementaridade."

Esta afirmação ocorre no contexto de uma análise em que Eugénio de Andrade compartilha a ideia de que a poesia de Camões não pode ser remetida para um reduto fechado do sensorial, mas que, pelo contrário, tem na sua estrutura, juntamente com a experiência corporal (sensorial), física, material e primária, uma fundamentação metafísica, intelectual, racionalizada, ideal e aspirante às "mais altas torres".
Uma notável metáfora, quero ainda acreditar, para acção de muitos líderes, sejam eles nacionais, locais ou de uma simples organização empresarial.

Referência Bibliográfica:
Eugénio de Andrade, "Camões e as altas torres", in Os afluentes do silêncio. Compilação sobre a prosa de Eugénio de Andrade, Modo de Ler.

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