Terça-feira, 1 de Novembro de 2011

0394 - Patrimónios, cemitérios

- Agora são Técnicos Cemiteriais – afirmou ele. Ele é um coveiro - assim se designou - que foi entrevistado num programa que está a decorrer dedicado ao dia de hoje, 1 de Novembro, mas que de facto antecipa o dia de amanhã.

Por coincidência, estive há dois dias em Santiago do Cacém e, enquanto Miróbriga não abria (o património, apesar da sua estrutural importância, têm horário, como tudo hoje em dia), fui ver o Castelo, convencido que ia ver apenas um castelo. Deparei, contudo, com um cemitério. Não foi para mim uma surpresa total. Já conhecia outros castelos que albergam cemitérios actuais.

E lá andei ás voltas, observando as particularidades das atitudes perante a morte que por ali se me deparavam e os vestígios que as mais recentes intempéries tinham provocado naquele espaço.

Quando já estava a sair, um personagem, baixo e magro, aproxima-se e mete conversa. Era o coveiro (não sei se se considerava Técnico Cemiterial). Explicou e mostrou aquilo que eu não captara. Funcionou como guia e levou-me a ver o que me escapara e escaparia sempre sem explicação. Falou da história do cemitério, dos seus primeiros ocupantes, das interessantes particularidades dos primeiros jazigos, da ortografia lapidar (e de um misterioso “português hebraico”) e até da segurança do cemitério, mostrando, com orgulho no seu telemóvel, uma imagem do segurança canino (do qual, inclusivamente, ele próprio já provara a dedicação à função fiscalizadora).

Hoje, ao ver o programa que está a passar na televisão, não pude deixar de me recordar deste coveiro, técnico cemiterial, guia, ou simplesmente alguém que se identifica com o que faz e revela um particular carinho pelo espaço que está à sua responsabilidade. Alguém que está emocionalmente evolvido com o seu trabalho e com a dimensão identitária do lugar em que trabalha.

Não sei se terá cursado qualquer formação destinada a “Técnicos Cemiteriais”(duvido), mas sei que está acima de muitos técnicos patrimoniais que me “guiaram” ou “apresentaram” sítios arqueológicos. Quando cheguei finalmente a Miróbriga, cobraram-me bilhete e disseram-se secamente que poderia ir ver as ruínas e que por lá havia placas explicativas.

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