Finalmente. Depois de tanto procurar e esperar, 2011 deu-me outra prenda: a reedição da Obra Poética de Manuel da Fonseca.
Só para "petiscar":
"Florbela às vezes descia
às casas ricas da vila.
Falava de tal maneira
que ninguém a entendia
nas casas ricas da vila.
Senhora na sua terra,
sua terra abandonou...
- porque lá ninguém a queria...
Senhora numa cidade
Florbela às vezes descia
às casas dos lavradores.
Falava (como tu cantas
ó Maria Campaniça!...)
falava...- quem a entendia
nas casas dos lavradores?!...
Senhora numa cidade, a cidade abandonou...:
- porque lá ninguém a queria..."
(excerto de "Para um poema a Florbela")
Só mais uma coisa: aproveite, quem por aqui passar e pela dimensão interventiva da arte se interessar, para ir apreciar (se ainda não apreciou) o museu do Neo-Realismo português em Vila Franca de Xira. Vale muito a pena e por lá encontrará Manuel da Fonseca e o seu contexto.


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