Domingo, 29 de Janeiro de 2012

0409 - Sem Abrigo sem abrigo



Percorro com frequência a Avenida Almirante Reis. Gosto de andar a pé pela cidade e passar por ali tráz boas memórias, pois vivi em Arroios e nos Anjos uma boa parte da minha vida.

Uma das memórias de criança, e das brincadeiras de rua, são os jogos que se faziam debaixo das arcadas dos prédios construídos nos anos sessenta e setenta. Há vários na avenida e quando chovia convertiam-se em campos de futebol ou de outras aventuras.

Mais recentemente comecei a observar que se transformavam em dormitórios de sem abrigo. Hoje, porém, apercebi-me que, num quarteirão inteiro, grades tinham sido instaladas nestes vãos. Grades que transformam as entradas destes prédios e das lojas que as enquadram, sob as arcadas, em autênticas jaulas. Não para manter cativos dentro, mas para manter indesejados fora. E com isto, alguém procura fazer jus ao nome dos Sem Abrigo, aos quais se parece começar a recusar os poucos tectos que a cidade ainda disponibilizava.

E que bem que se devem sentir agora os enjaulados.

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